quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

"O que é demais é exagero"

Eu fui praxada. Toda a gente que me lê o sabe. Eu vivi uma praxe que se baseava em jogos na lama, em correr, em encher, muitas vezes, o dia todo. Curso de homens é assim! Mas em momento algum me senti violentada, agredida, mal-tratada ou desrespeitada. Um caso não se estende a todos os outros a nível nacional. O que é relatado na televisão não passa de uma campanha anti-praxe e infundada. Já cansa, já enjoa e já chega. Recusei-me a fazer algumas coisas enquanto caloira e nada me fizeram... não me excluíram, não me mal-trataram. Há praxes estúpidas, há praxes que não fazem sentido nenhum, mas caramba... não é o caso de toda a gente. Se não fosse praxada não teria a proximidade que tenho hoje em dia com muita gente, não teria passado tardes a rir, não conheceria o meu namorado (meu padrinho de praxe)... não estaria sequer neste curso... teria desistido, teria baixado os braços e não me sentiria feliz, como hoje me sinto. Enquanto mulher, num curso de homens, posso vos garantir que em momento algum fiz poses sexuais com alguém (os meus engenheiros jamais o permitiam), em momento algum fui agredida, em momento algum fui abandonada em algum local, em momento algum me fizeram algo que não gostei. Não fui violentada, sempre me apoiaram, sempre tiveram cuidado com os meus problemas de saúde e com o meu bem-estar. Não generalizem por amor de Deus. Já enjoa, já cansa. Outra coisa: é curioso o facto de que todos os jornalistas, psicólogos, comentadores, políticos e apresentadores que tanto criticam a praxe, na verdade, nunca foram praxados. Olhar de fora não é mesma coisa que viver por dentro. Por fim, o traje académico nada têm a ver com a praxe, pelo menos na minha Universidade. Usa-o quem quiser! É sinónimo do nosso orgulho pelo que conseguimos alcançar a nível académico, pelo nosso esforço, pela nossa luta, pelas noites mal dormidas a estudar para os testes e exames. Ah é verdade, os praxistas não são pessoas que se desinteressam pelos estudos e passam a vida em farras, maior parte dos meus engenheiros tinham as cadeiras quase todas feitas e eu, enquanto caloira, fiz-las todas.

2 comentários:

Ella disse...

Eu acho que há de tudo... quem anda pela farra e não tem nada feito, quem é normal e quem tem tudo feito na altura certa... não reflete o tipo de alunos que são... mas reparei que os mais "agressivos" com as tradições são os da farra e isso já não me diz nada.

Sara disse...

Por acaso os mais agressivos que eu tinha eram da farra, mas com tudo feito :P